Réveillon na Ilha de Páscoa: místico e inesperado

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Formada por três vulcões hoje inativos (Rano Kau, Terevaka  e Poike), a Ilha de Páscoa é um dos lugares mais remotos do mundo e ficou, durante séculos, isolada do resto da civilização.

Supostamente habitada por povos de origem polinésia, essa ilha de apenas 170 km² no meio do Oceano Pacífico esconde uma série de mistérios que fascinam historiadores e turistas do mundo todo.

Ilha de Páscoa Chile

Ilha de Páscoa, Chile. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

A Ilha de Páscoa abriga, ao longo do seu território, cerca de 900 estátuas erigidas em pedras vulcânicas, com uma média de 4 metros de altura. Essas estátuas, também chamadas de Moais, foram construídas pelos povos que ali moraram, os Rapa Nui, provavelmente entre os anos de 1400 e 1600.

Acredita-se que os Moais eram construídos para cultuar antepassados que se destacaram como reis, guerreiros ou sacerdotes. No entanto, não se sabe ainda como esses pesados Moais foram transportados ao longo da ilha, em uma época ainda carente de tecnologia.

As teorias para essa história são as mais diversas possíveis e vão desde a sua construção por alienígenas até o transporte dos Moais realizado em troncos de madeira, o que resultou na posterior extinção da vegetação da ilha.

Com tantas histórias, enigmas e teorias, a Ilha de Páscoa é um destino super interessante, tranquilo e vazio para as pessoas que querem fugir das grandes multidões no Ano Novo.

Em 2013, passamos o Réveillon nessa ilha remota e contaremos hoje todos os detalhes dessa viagem inesquecível!

Neste post você irá encontrar:

 

1) Quantos dias são necessários para conhecer a Ilha de Páscoa

Um roteiro de 3 a 4 dias é suficiente para você conhecer a Ilha de Páscoa e ainda ter tempo para curtir a sua principal praia: Anakena.

2) Principais atrações

Mapa com as atrações da Ilha de Páscoa. Fonte: Wikimedia

Mapa com as atrações da Ilha de Páscoa. Fonte: Wikimedia

  • Vulcão Rano Kau

O Rano Kau é um dos três vulcões que deram origem à Ilha de Páscoa e é porta de entrada para antiga aldeia cerimonial dos povos Rapa Nui, conhecida como Orongo.

Nessa aldeia, você verá várias casinhas, com as da foto abaixo, que foram construídas para a realização da competição do Homem Pássaro e para homenagear o deus da fertilidade Makemake. De lá, ainda se vê uma ilhota, que também era usada na competição do Homem Pássaro.

Orongo Ilha de Páscoa

Orongo, Chile. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

o que fazer na Ilha de Páscoa

Ilhas vistas do vulcão. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

O vulcão está localizado a 324 metros acima do nível do mar e possui uma cratera com mais de 1500 metros de diâmetro. Do topo do vulcão, é possível ver dentro da cratera uma lagoa formada pela água das chuvas com uma vegetação específica dentro.

Rano Kau

Lagoa dentro do vulcão Rano Kau. Foto: RMA / Blog Pegadas na Estrada

Para chegar ao vulcão, você deverá dirigir por uma estrada de chão batido de 6 km ou seguir a pé por uma trilha de cerca de 10 km. Ao longo da trilha, existem diversas outras atrações para serem visitadas.

  • Rano Raraku

Também conhecido como a “Fábrica de Moais“, foi neste lugar onde foram esculpidos todos os moais até então encontrados. Dê lá, sabe se lá como, esses moais eram transportados para outros destinos na ilha.

O interessante de visitar o Rano Raraku é que você verá ao longo do caminho inúmeros moais em diversas fases de construção.  Com certeza, um passeio imperdível!

Assim como o Vulcão Rano Kau e a aldeia Orongo, o Rano Raraku está localizado na área do Parque Nacional da Ilha de Páscoa, o qual requer ingresso para visitação.

Rano Raraku fábrica moais

Rano Raraku (Fábrica de Moais). Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

  • Ahu Tongariki

A apenas 2 km da pedreira Rano Raraku, o Ahu Tongariki é a mais incrível plataforma cerimonial da ilha. Nele, você encontrará 15 moais em bom estado de conservação. Ao fundo, você perceberá a cor azul forte do mar, que chega a impressionar!

Pela sua localização estratégica, este também é o melhor lugar para ver o nascer do sol.

Ahu Tongariki

Ahu Tongariki, Ilha de Páscoa. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

  • Praia Anakena

Essa é a principal praia da Ilha de Páscoa e é incrivelmente maravilhosa.

Por conta do mar azul, dos vários coqueiros e do Ahu Nau Nau, que é uma plataforma com 7 belíssimos moais, Anakena entrou para a nossa lista Top 10 praias que você precisa conhecer. Com certeza, ela também entrará para a sua lista!

Praia Anakena

Praia Anakena, Ilha de Páscoa. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

Anakena Beach

Praia Anakena, Ilha de Páscoa. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

  • Complexo Tahai

Pertinho do vilarejo Hanga Roa, esse é o melhor lugar da ilha para ver o pôr do sol. É surpreendentemente lindo!

Complexo Tahai

Pôr do sol no Complexo Tahai. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

Ahu Tahai Ilha de Páscoa

Pôr do sol no Complexo Tahai. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

  • Ahu Te Pito Kura

Nessa região, encontramos o maior moai da ilha, conhecido como Paro e que tem quase 10 metros de altura.

Infelizmente, esse moai não resistiu às inúmeras tempestades ao longo dos anos e caiu sobre a plataforma.

No mesmo local, você ainda encontrará o Te Pito Kura, que é um conjunto de pedras, conhecido com “Umbigo do Mundo“. Reza a lenda que a pedra central, que também é a maior, possui um magnetismo único, perceptível quando tocamos.

Umbigo do Mundo

Umbigo do Mundo e o seu magnetismo. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

  • Ahu Akivi

Diferentemente dos outros moais, no Ahu Akivi, os 7 moais existentes não estão na costa da ilha, e sim na parte central.

Além disso, esses moais são os únicos que estão olhando para o mar, já que os outros estão de costas para ele. Por causa disso, acredita-se que esses moais sejam os verdadeiros protetores da ilha.

Não é das atrações mais impressionantes, mas vale a pena visitá-la.

Ahu Akivi

Ahu Akivi, Ilha de Páscoa. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

  • Ana Kai Tangata

Próxima à Hanga Roa, Ana Kai Tangata é uma pequena caverna escondida que abriga algumas pinturas rupestres e uma das cenas mais bonitas: uma moldura natural da caverna com o mar cristalino ao fundo. Repare nas ondas que se quebram.

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Ana Kai Tangata. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

Em resumo, essas foram as principais atrações da Ilha de Páscoa. No entanto, a ilha possui vários outros moais e atrações espalhados em seu território. Todos eles podem ser facilmente acessados de carro em um roteiro de 3 a 4 dias.

3) Onde se hospedar

Hanga Roa é o único vilarejo da ilha. Portanto, é lá onde ficam os hotéis, restaurantes, agências de aluguel de carro, mercados e o comércio local.

Hanga Roa

Prainha em Hanga Roa. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

A pequena cidade está bem perto do aeroporto e a maioria dos hotéis oferecem tranfer gratuito de/para ele.  Confira esse detalhe antes de reservar o seu hotel.

Alguns hotéis recomendados na Ilha de Páscoa:

4) Como se locomover na ilha

A maioria dos Moais estão distantes de Hanga Roa e não há transporte público até eles. Portanto, você tem duas principais opções:

  • Contratar um tour em alguma agência de Hanga Roa. Fizemos isso no primeiro dia, mas não curtimos muito.
  • Alugar um carro em uma agência local. Fizemos isso nos outros dias e curtimos demais. Dirigir na ilha é super fácil e seguro. Basicamente, só existe uma estrada. Basta segui-la e você chegará a todas as atrações. Atenção: reserve o carro com antecedência. A ilha não possui muitas agências e os carros podem se esgotar.

5) Como é o Réveillon na Ilha de Páscoa

Como falamos anteriormente, uma das atrações mais incríveis da Ilha de Páscoa é assistir ao pôr do sol no Complexo Tahai. Esse complexo é formado por três plataformas, que abrigam o Ahu Vai Uri, com seus 5 moais; o  Ahu Tahai, com um único moai; e o Ahu Ko Te Riku, com um moai de olhos pintados.

Durante o verão, o sol se põe por volta das 21 horas e, no inverno, por volta das 18h30.

A nossa ideia inicial para a noite de Réveillon era assistir a esse maravilhoso pôr do sol, jantar e depois curtir a festa de ano novo na orla de Hanga Roa.

Colocamos a nossa tradicional roupa branca e seguimos a pé para o Complexo Tahai.

roteiro Ilha de Páscoa

De roupa branca aguardando o pôr do sol. Foto: RMA / Blog Pegadas na Estrada

De maneira geral, as pessoas costumam ficar assentadas em uma espécie de colina, a espera do sol, que se põe atrás dos moais. Quando isso acontece, começam as milhares de fotos, palmas, beijos e até lágrimas. É um momento único e emocionante.

Pôr do sol Ilha de Páscoa

Pôr do sol no Complexo Tahai. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

Superado o momento, voltamos para Hanga Roa para comer alguma coisa. Quando chegamos, o show de Ano Novo já estava rolando e praticamente todos os restaurantes já estavam fechados. Apenas 2 ainda estavam abertos, mas não pudemos entrar pois estavam lotados e não tínhamos reserva.

Sem restaurante ou mercado abertos, nem barraquinhas na orla, ficamos a “deriva” sem ter o que comer.

A grande sacada da noite foi uma garrafa de espumante e uma embalagem de amendoim que tínhamos na mala, além de um queijo que compramos no primeiro dia.

Em resumo, assim curtimos o nosso Réveillon, precisávamos de mais o quê? rs. Pegamos o que tínhamos e fizemos a nossa festa na praia. O show foi super animado, inclusive com algumas músicas brasileiras.

À meia noite em ponto, após a tradicional contagem regressiva, caiu um “pé d’água” de uns 5 minutos. As pessoas, que eram em grande parte moradores da ilha (por isso estava tudo fechado), dançavam na chuva e esbanjavam toda alegria. Seria um presente dos deuses? Dos antepassados? Dos aliens?

Seja lá de quem foi, o fato é que a festa foi linda. Um pouco depois, a chuva parou e as pessoas continuaram celebrando a virada do ano. E nós também!

6) O que aprendemos com essa viagem

Aprendemos que o Ano Novo é celebrado de diferentes maneiras ao redor do mundo e que nem sempre as pessoas vêm essa data como uma oportunidade de ganhar dinheiro. Por isso todo o comércio estava fechado.

Aprendemos também que sentir o pôr do sol no Complexo Tahai vale muito mais do que um jantar em qualquer restaurante.

Mas a maior lição da viagem foi que devemos sempre levar um espumante e um pacote de amendoim na mala. Esteja preparado, você nunca sabe o dia de amanhã, rs.

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Sobre o autor

Ela, cheia de imaginação e criatividade. Acredita que o mundo está logo ali. Se vai para o Canadá, por que não dar uma esticadinha até a Rússia, passando pela Islândia e pela Escandinávia? Ele, viajante mais pé no chão, pesquisa todos os detalhes e nunca se mete em furada ou confusão. Juntos, um equilíbrio, e muitas histórias para contar!