Dirigir na Nova Zelândia: tudo o que você precisa saber

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Dirigir na Nova Zelândia é, sem dúvida, uma das maiores experiências que um viajante pode ter na Oceania.

De maneira geral, as estradas do país são bem sinalizadas e estão em bom estado de conservação. Aliado a isso, a Nova Zelândia possui algumas das estradas mais cênicas do mundo, como a Great Coast Road, Haast Pass, Milford HightwayLindis PassGlenorchy-Queenstown Road, entre outras.

Dirigir na Nova Zelândia

Glenorchy-Queenstown Road, Nova Zelândia. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

No entanto, há no país algumas regras que nós brasileiros não estamos acostumados e que devemos prestar bastante atenção.

Em abril de 2017, fizemos uma road trip de 23 dias na Nova Zelândia. No post de hoje, traremos um resumo do que aprendemos nas estradas por lá, com 11 dicas para tornar a sua viagem mais segura pelo país. Se você ainda ficar com alguma dúvida, deixe-a nos comentários. Será um prazer ajudá-lo! 😉

Dirigir na Nova Zelândia roteiro dicas

Tudo o que você precisa saber para dirigir na Nova Zelândia! Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

1- Mão inglesa

O primeiro e mais importante fato que você deve saber sobre dirigir na Nova Zelândia é que lá eles dirigem na mão inglesa. Isso muda tudo! O volante fica do lado direito, você passa as marchas com a mão esquerda, os comandos do limpador de para-brisa e das setas são invertidos, a rotatória gira no sentido anti-horário, enfim, fica a impressão de que tudo está no lado errado. Mas não se desespere, no fim das contas, é muito mais fácil do que parece.

Tudo o que o motorista precisa é ter muita atenção e concentração, sobretudo nas grandes cidades. A seguir, passaremos algumas dicas de ouro para te ajudar a ter uma direção tranquila e segura no “lado errado da pista”.

Mantra “passageiro na calçada, motorista no meio”

A preocupação número 1 do motorista deve ser não entrar na contramão. Na verdade, a única possibilidade disso acontecer é quando se entra em uma via, seja ao fazer uma conversão, seja ao sair de um estacionamento. Nesses momentos, mentalize: “passageiro na calçada, motorista no meio“, “passageiro na calçada, motorista no meio“. Isso quer dizer que você deve posicionar o carro de tal forma que o passageiro fique do lado da calçada/acostamento e o motorista fique sempre no meio da pista. Repita essa frase mil vezes, como um verdadeiro mantra. Ela vai te ajudar bastante a não fazer besteira!

Neste ponto, o passageiro também tem um papel muito importante. A ele cabe verificar se o motorista está entrando no lugar certo. Quem está dirigindo tem que se preocupar com muitas coisas ao mesmo tempo: prestar atenção no GPS, nos outros carros, no sinal vermelho, na velocidade, passar marcha com a canhota, dar seta sem ligar o limpador de para-brisa, enfim, são tantas coisas que aumentam as chances de erro. Por isso a importância do copiloto. Nas duas únicas vezes que quase entramos na contramão, foi o carona quem salvou o dia e alertou o motorista da bobagem que ele estava por fazer.

Conversões à direita e rotatórias

Na nossa experiência, as maiores dificuldades foram as conversões à direita e as rotatórias. As conversões à esquerda são fáceis, já que você não precisa cruzar toda a pista para virar. O mesmo não acontece com as conversões à direita, quando você deve atravessar toda a pista para fazer a conversão. Por algum motivo, o cérebro se confunde nessas situações, gerando dúvida sobre qual lado da rua devemos pegar. Sabendo disso, portanto, sempre que você fizer uma conversão à direita, tenha atenção redobrada!

Mas o que achamos mais difícil mesmo foram as rotatórias. Australianos e neo-zelandeses amam rotatórias. Elas estão por toda a parte. Mas o grande problema é que no Brasil o fluxo da rotatória segue no sentido horário, enquanto que, na Nova Zelândia, ele segue no sentido anti-horário. Como consequência, ao entrar em uma rotatória deles, você deve olhar para a direita e não para esquerda como estamos acostumados. Acontece que esse condicionamento de olhar para a direita é muito forte e, por diversas vezes, entramos na rotatória sem olhar para o lado certo com o devido cuidado. Então fica a dica: muita atenção às rotatórias e, na dúvida, olhe para os dois lados.

Passar marcha com a mão esquerda

Como sou canhoto, passar marcha com a mão esquerda foi bem tranquilo para mim. Foi estranho, mas tranquilo. Na verdade, posso dizer que eu até gosto de passar marchas. No entanto, quando alugamos carro com câmbio automático foi outra qualidade de vida. Como dissemos, o motorista já tem que prestar atenção em tantas coisas, concentrar em tantos detalhes ao dirigir na mão inglesa, que não ter que se preocupar em passar marchas é uma grande vantagem. Vai por mim, pagar por um carro com câmbio automático é um grande investimento na Nova Zelândia!

2 – Facilite a ultrapassagem

Algo que nos chamou bastante a atenção nas estradas neozelandesas foi o respeito que os veículos mais lentos têm com os carros que vêm atrás. Em geral, é bastante raro encontrar uma estrada duplicada na Nova Zelândia, portanto, na maior parte do tempo você estará dirigindo em pista simples, com uma faixa em cada direção.

Apesar disso, todas as estradas tem, de tempos em tempos, uma “slow vehicle lane” ou uma “stopping bay“. A “slow vehicle lane” é uma terceira faixa que os veículos mais lentos usam para ceder passagem para quem vem atrás. A “stopping bay“, por sua vez, é mais comum nas estradas de montanha e consiste em um pequeno acostamento onde os motoristas param seus carros para deixar quem está mais rápido passar.

A lógica por trás dessa conduta é que quanto menos ultrapassagens houver em um rodovia, mais segura ela será para todos. E eles levam isso muito a sério! Portanto, quando estiver dirigindo na Nova Zelândia, não force a ultrapassagem. Tenha paciência e espere chegar a uma “slow vehicle lane” ou uma “stopping bay”, onde o motorista da frente certamente facilitará sua ultrapassagem. Por outro lado, quando houver um veículo mais rápido atrás de você, retribua a gentileza e ceda passagem.

estrada cênica Nova Zelândia

Viajando devagar e parando para tirar fotos! Foto: RMA / Blog Pegadas na Estrada

3 – Ferry

As ilhas norte e sul da Nova Zelândia são separadas pelo estreito de Cook e não há pontes ou túneis que as conecte. Portanto, quem pretende cruzar de carro de uma ilha a outra, deverá pegar um ferry que liga as cidades de Wellington (ilha norte) e Picton (ilha sul).

Nós fizemos essa travessia com a empresa Bluebridge, saindo de Picton às 8h da manhã e chegando em Wellington às 11:30h.

Quem pretende fazer essa travessia de carro, porém, deve verificar se a locadora autoriza que seus carros peguem o ferry ou não. Nós alugamos o nosso com a empresa Go Rentals, que permite que seus carros cruzem de uma ilha para outra, o que ajudou bastante na montagem do nosso roteiro. Por outro lado, temos conhecimento de empresas que não permitem isso. Portanto, recomendamos que você verifique sempre esta questão antes de alugar o carro.

Dicas dirigir na Nova Zelândia

Vista durante a travessia do ferry. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

4 – Estacionamento nas cidades

Um dos grandes problemas de quem está viajando de carro por uma grande cidade é estacionar o veículo. Principalmente nos centros das cidades e perto das principais atrações, achar vagas na rua costuma ser praticamente impossível e os preços dos estacionamentos pagos podem ser bem elevados.

Uma boa dica que sempre nos ajuda muito nessas situações é o site Parkopedia. Essa é uma ferramenta que ajuda a encontrar os estacionamentos mais baratos (ou mesmo gratuitos) próximos ao seu destino. Basta informar o endereço, a data e o horário em que você pretende deixar o carro estacionado que o Parkopedia mostrará um mapa com todos os estacionamentos disponíveis e os respectivos preços. Bem simples e prático!

Normalmente, fazemos a pesquisa durante o planejamento da viagem e anotamos o endereço dos estacionamentos com o melhor custo-benefício. Assim, não perdemos tempo procurando vaga, nem pagamos mais caro quando há opções mais em conta disponíveis.

Dirigir na Nova Zelândia

Estacionando nas cidades da Nova Zelândia. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

5 – Pontes com pista única

É muito comum na Nova Zelândia, principalmente na ilha sul, encontrar pontes estreitas com espaço para apenas um carro de cada vez. Neste caso, sempre haverá placas indicando quem tem a preferência.

Essas placas vão ter sempre duas setas em sentidos opostos: uma vermelha pequena e uma grande branca ou preta. O carro que trafega no sentido da seta vermelha terá que ceder passagem.

Placa ponte estreita nova zelândia

A preferência é sua. Imagem: www.nzta.govt.nz

Assim, se você avistar uma placa retangular azul como a da imagem acima, você terá preferência e o carro do outro lado terá que aguardar a sua travessia.

Placa ponte estreita nova zelândia

Dê preferência. Imagem: www.nzta.govt.nz

Mas, se você avistar uma placa redonda com a seta vermelha no seu sentido, você terá que parar na faixa pintada no chão e esperar que o outro carro passe.

6 – Consultar condições da estrada

Antes de pegar a estrada sempre é bom consultar as condições da via. O site da Agência de Transporte da Nova Zelândia têm um mapa interativo onde você pode verificar se há obras na pista que podem lhe causar atrasos ou alguma estrada fechada por alagamentos, queda de barreiras ou outros imprevistos.

Durante a nossa viagem, a Austrália e a Nova Zelândia foram castigadas por fortes chuvas em decorrência do Ciclone Debbie e tanto o site da NZ Transport Agency, quanto o site oficial de Queensland, nos ajudaram bastante.

7 – Abastecimento

Quem já abasteceu o carro nos Estados Unidos, Canadá ou Europa está acostumado a, antes de encher o tanque, pré-autorizar o cartão na bomba ou pagar um valor pré-estabelecido na loja de conveniência.

Na Austrália e Nova Zelândia, as coisas são diferentes. Primeiro você abastece e só depois você paga. Pode parecer estranho para nós, mas é assim que as coisas funcionam por lá.

8 – Dirigindo no inverno

Durante o inverno, você poderá encontrar condições de neve e gelo nas estradas, principalmente no sul e nas regiões de montanha. Dirigir nestas condições não é nenhum bicho de sete cabeças, mas certamente exige cuidados extras.

O primeiro desses cuidados é consultar as condições da estrada, como mencionamos no item 6 deste post. Após essa consulta, você poderá encontrar algumas situações que exigirão uma atenção especial.

Estradas Fechadas

Algumas rotas populares, como a Crown Range Road, entre Queenstown e Wanaka,  e a Milford Sound Highway costumam fechar no auge do inverno. Nesta época do ano, é importante ser flexível e estar sempre preparado para mudar os planos.

Neve ou gelo na pista

Caso haja neve ou gelo na pista, seu carro terá menos aderência e você terá que adaptar sua maneira de dirigir às condições climáticas:

  • reduza a velocidade;
  • evite freadas e acelerações bruscas. Sempre pise suavemente nos pedais;
  • guarde uma distância maior para os veículos da frente;
  • evite viradas bruscas no volante;

Se você pretender passar por alguma estrada de montanha, converse na locadora de veículos sobre a necessidade de usar correntes nos pneus e peça para eles explicarem sobre o seu funcionamento.

 9 – Carteira de Motorista para dirigir na Nova Zelândia

Para dirigir na Nova Zelândia, você precisará portar uma Permissão Internacional para Dirigir (PID) ou a sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), acompanhada de uma tradução reconhecida pelas autoridades. Para a tradução da CNH brasileira ser reconhecida, ela deverá ser emitida por um tradutor aprovado pela NZ Transport Agency ou por um representante consular.

Ou seja, na prática, o melhor é tirar a Permissão Internacional para Dirigir (PID). Os procedimentos para tirar a PID variam de estado para estado, mas costumam ser bem simples. Em Minas Gerais, por exemplo, basta entrar no site do Detran/MG, fazer a solicitação online, pagar a taxa correspondente e aguardar a sua habilitação internacional chegar pelo correio.

10 – Compartilhando ruas e estradas

Como falamos, a maior parte da malha rodoviária da Nova Zelândia é formada por estradas estreitas e sem acostamentos. Por conta disso, as autoridades locais têm desenvolvido forte campanha para que os motoristas “compartilhem a estrada“. Isso significa prestar especial atenção aos ciclistas e lhes dar espaço suficiente para evitar acidentes.

Assim, ao ver um ciclista na pista, reduza a velocidade e só ultrapasse quando for seguro. Ao fazer a ultrapassagem, pegue a contramão como se fosse ultrapassar um carro, permitindo um espaço de no mínimo 1,5 metro entre o seu carro e o ciclista.

Estradas estreitas e sem acostamentos na Nova Zelândia. Foto: CFR / Blog Pegadas na Estrada

11 – Relocation

Uma das melhores formas de economizar com aluguel de carros na Nova Zelândia e na Austrália é aproveitar as promoções das agências conhecidas como “relocation“.

É muito comum as agências locarem seus carros em trajeto único, ou seja, com o viajante pegando o veículo em uma cidade e devolvendo em outra. Isso, muitas vezes, acaba ocasionando um desequilíbrio entre o local onde os carros estão e o local onde está a demanda. Para resolver este problema, as empresas precisam deslocar seus veículos entre suas diversas lojas, o que gera um custo alto para elas.

Por esse motivo, as agências encontraram uma maneira criativa para driblar a situação. Elas oferecem superpromoções para quem quiser levar o carro de uma cidade X para uma cidade Y em uma determinada data. E quando falamos em “superpromoções”, estamos falando de aluguel de carro a 1 dólar ou até de graça. Em alguns casos, inclusive, eles oferecem até mesmo um tanque de gasolina grátis.

Em resumo, fica mais barato para as empresas deixar você levar o carro de graça de uma cidade para outra, do que pagar um motorista para fazer o mesmo serviço. Se a lógica é essa, então aproveite!

Veja esse exemplo do “relocation” da Go Rentals:

Neste exemplo, o Toyota Yaris está a $1 por dia, pelo período de 1 a 3 dias, para quem quiser pegar o carro em Queenstown e devolver em Christchurch, entre 25/07/2017 e 31/08/2017. Já o Toyota RAV4, sai a $19 por dia, pelo período máximo de 14 dias, para quem puder pegar o carro em Christchurch ou Queenstown e devolvê-lo em Auckland ou Wellington.

Para encontrar essas ofertas, você pode entrar no site das empresas e procurar a opção “relocation” ou utilizar um buscador de ofertas como o Transfer Car.

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Confira 10 dicas incríveis para dirigir na Nova Zelândia. Tudo o que você precisa saber para organizar sua road trip por um dos país mais bonitos do mundo

Agradecemos a parceria com a empresa Go Rentals e informamos que todos os relatos descritos neste post foram baseados em nossas experiências reais e refletem a nossa opinião.

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Sobre o autor

Ela, cheia de imaginação e criatividade. Acredita que o mundo está logo ali. Se vai para o Canadá, por que não dar uma esticadinha até a Rússia, passando pela Islândia e pela Escandinávia? Ele, viajante mais pé no chão, pesquisa todos os detalhes e nunca se mete em furada ou confusão. Juntos, um equilíbrio, e muitas histórias para contar!

4 Comentários

  1. post super completo! quando estava na NZ eu não dirigi, mas aluguei um carro junto com meus amigos e nao foi facil se adaptar na mao inglesa ahuehaue eu nem peguei volante pq ctz q ia dar acidente entrando em lugar q nao deve auehaue gostei da dica do app!

    • Olá, Ângela! Que bom que você gostou do post. Realmente dirigir na NZ é bem diferente, mas você se acostuma e pega rápido. São apenas alguns cuidados! Quem sabe da próxima vez? Abraços, Cristina e Renato.

  2. Muito bom o seu post. Estou indo em fevereiro de 2018. Estou pensando em fazer a viagem de trem de Auckland até Wellington e voltar de carro para Auckland. Abç

    • Olá, Aryane!

      Que bom que você curtiu! A Nova Zelândia é um país incrível, com muitas paisagens diferentes. Antes de alugar o carro, dê uma olhada na tarifa de trajeto único, ok.
      Abraços,
      Cristina e Renato.

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